Fato! Agora entenda detalhadamente como isso acontece.
A tireoide participa diretamente do metabolismo lipídico, regulando a forma como o fígado produz, utiliza e remove o colesterol do sangue.
Quando ocorre hipotireoidismo (mesmo nas formas leves, como o hipotireoidismo subclínico), vários mecanismos metabólicos são alterados:
1. Redução da depuração de LDL: A menor expressão de LDLR faz com que menos LDL seja removido da circulação.
2. Fluxo biliar prejudicado: A diminuição do fluxo de ácidos biliares reduz a eliminação de colesterol pelo trato gastrointestinal.
3. Função alterada do HDL: Mudanças nas subfrações de HDL podem prejudicar o efluxo de colesterol (remoção do colesterol das células).
4. Desequilíbrio entre síntese e depuração: Embora a síntese possa aumentar (via HMG-CoA redutase), a queda significativa nos mecanismos de depuração (LDLR, ácidos biliares) supera esse efeito, levando ao aumento do colesterol sanguíneo — especialmente do LDL-C.
Por isso, é comum encontrar colesterol elevado em pacientes com tireoide desregulada — mesmo quando a alimentação é adequada.
Inclusive, várias diretrizes recomendam:
Sempre avaliar a função tireoidiana em casos de colesterol alto sem causa aparente.
Quando o hipotireoidismo é tratado e os hormônios voltam ao equilíbrio, muitos pacientes apresentam redução espontânea do LDL, sem mudanças significativas na dieta.
Ou seja:
Nem sempre o colesterol alto vem da alimentação.
Em muitos casos, a tireoide é a peça-chave que estava faltando no diagnóstico.

